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Tributação
Contestação
dos autos de valor mais elevado impede ingresso maior
dinheiro no Fisco, diz Rachid
Receita
resgata apenas 12% de autuações
Marta
Watanabe, De São Paulo
Apesar de ter elevado o volume e a qualidade das autuações fiscais, a Receita Federal continua mantendo um índice de aproveitamento de apenas 12% dos valores totais cobrados nos autos. Segundo o secretário da Receita Federal, Jorge Antonio Deher Rachid, o órgão consegue transformar em ingresso de receitas 50% do número de autuações lavradas contra empresas e pessoas físicas. Em termos de valores, porém, o percentual cai para 12%. "A diferença acontece também porque os maiores autos são os mais contestados." O secretário diz que o índice é considerado uma marca histórica dentro do órgão, sofrendo apenas algumas oscilações para cima ou para baixo em função de alguma autuação pontual de valor maior. Se
o maior volume e a melhor qualidade das autuações fiscais
tornou-se fato considerado inegável não só pela Receita
como também pelos tributaristas que defendem os
contribuintes, outros fatores influenciam para manter o
patamar de aproveitamentos dos autos. Uma delas, acredita a
advogada Maria Isabel Tostes da Cunha Bueno, do Se as autuações ficaram mais sofisticadas e difíceis de ser contestadas, os escritórios e empresas também se estruturaram mais para combatê-las. Além disso, os contribuintes contam com as estatísticas generosas do Conselho de Contribuintes, tribunal administrativo que analisa a validade das autuações. O Conselho tem derrubado 50% dos autos. "Vale
lembrar que nos casos considerados como empate entre
contribuinte e Fisco, com autuação validada em parte,
muitas vezes a vitória é do contribuinte", diz Pedro
César da Silva, da O
direito é utilizado por muitos contribuintes. O empresário
Léo Wallace Cochrane, ex- diretor do A Receita alegou que o empresário deveria ter incluído R$ 16,25 milhões no cálculo de seu Imposto de Renda de 1999. O valor teria sido excluído como "prejuízo nas contas do banco alienado". A
discussão no Conselho de Contribuintes, que contou com
pareceres dos juristas Miguel Reale e Miguel Reale Júnior,
terminou com vitória do Fisco. Agora o empresário iniciou
no Judiciário uma ação de anulação da autuação. Mesmo
que perca essa nova batalha, Cochrane ganha, com a
estratégia, alguns anos a mais antes de ter um desembolso
definitivo. O tributarista Ricardo Lacaz Martins, do A
estratégia é uma praxe também entre grandes companhias. A
Um Conselho de Contribuintes com maiores chances de decisão favorável aos contribuintes faz com que as discussões tributárias na esfera administrativa tomem conta de um espaço cada vez maior no jurídico das empresas e nos escritórios de advocacia. O mesmo acontece com os processos judiciais que sucedem as discussões administrativas. Uma busca na Justiça Federal de primeira instância em São Paulo mostra que, das quase 70 ações judiciais em andamento de autoria da Unilever Bestfoods Brasil e da Unilever Brasil, oito são relacionadas a processos que pedem anulação de autos de infração. Procurada, a Unilever não se manifestou.
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