Quarta-feira, 13 de abril de 2005

Contadores vão continuar a luta contra alta de impostos

Ygor Salles
 
Os contadores pretendem se manter ativos contra o aumento da carga tributária brasileira. Este é o pensamento da categoria, expresso durante encontro com contadores promovido pelo DCI ontem no Hotel Jaraguá, na capital paulista.
A mobilização vitoriosa dos contadores contra a Medida Provisória (MP) 232 foi considerada um marco pela categoria, que vê agora a oportunidade de mudar alguns conceitos sobre a profissão, tanto internos quanto externos.
“A Frente (contra a MP 232) acabou, mas ainda está ativa. As entidades que participaram dela estão aglutinadas e voltarão a se mobilizar a qualquer momento”, avisou o presidente do Sindicato das Empresas Contábeis de São Paulo (Sescon-SP) e um dos líderes da Frente, Antonio Marangon.
Para Raul Correa da Silva, conselheiro do Conselho Regional de Contabilidade de São Paulo (CRC-SP) , o fato de um contador — Marangon — ter sido um dos líderes de um movimento de âmbito nacional, com grande repercussão e que foi vitorioso, ajudará na auto-estima da categoria. “Ao ver um contador com esta exposição na mídia, vi que agora fomos aceitos e estamos liderando um processo que impede aumentos da carga tributária”, disse.
“A MP 232 foi uma maldade tão grande do governo federal que ficou claro para todos, inclusive para a classe contábil, que buscou se mobilizar”, disse o tributarista Adermir Ramos, da consultoria Caminho Legal .
Gastos públicos na mira
Além de evitar novos aumentos na carga tributária, Marangon também acredita que a classe precisa lutar contra o aumento dos gastos públicos.
“Estamos de olho sobre o projeto de lei que o governo deve mandar para o Congresso nos próximos dias”, disse.
“Além disso, apoiamos a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), que montou uma comissão para acompanhar de perto os gastos públicos, que deverão seguir o que foi definido no Orçamento deste ano. Se houver alguma mudança, será descoberto por eles”, afirma.
Para o vice-presidente financeiro do Sescon, Valdemar Lopes Armesto, o governo federal deveria aprender com os empresários como agir para reduzir seus gastos.
“Desde o início do Plano Real os gastos não param de subir. Só que nós, empresários, não aumentamos os preços para cobrir gastos, como faz o governo, e sim cortamos os gastos”, explicou.
Outra questão do setor tributário que deverá ser combatida pelos contadores é o aumento das chamadas obrigações acessórias, ou seja, a documentação que deve ser entregue ao Fisco para facilitar a fiscalização, e também das retenções de impostos na fonte.
“A retenção na fonte é tão ruim para o empresário quanto um aumento de impostos, porque ele paga o tributo antes mesmo de receber do seu cliente”, disse.
“O problema é deixar a Receita Federal legislar. É a raposa tomando conta do galinheiro”, disse Armesto.
Melhorar a auto-estima
Com a visibilidade alcançada pela classe contábil com a MP 232, o novo desafio da categoria é aproveitar a situação para melhorar sua auto-estima e afirmar sua importância.
“Agora, temos de nos firmar como conselheiros e contadores, e não como meros preenchedores de formulários”, disse Marangon.
Para Marcelo Assis, diretor da Asta Consultoria , o contador precisa agora buscar a sua atuação para se tornar indispensável ao setor produtivo.
“Temos de fazer muito mais pelo empresário. Ele tem de cuidar exclusivamente de como vender, produzir e crescer, enquanto cuidamos do resto”, explicou. “Temos de deixar de ser vistos pelos empresários como um mal necessário para a empresa”, resumiu o diretor financeiro da consultoria contábil Confirp , Richard Domingos.