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Tributação do trabalho é de
102,4% para empresa |
Luiz Joca*, para o Valor, de São Paulo e Brasília
03/11/2008
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Da mesma forma que a reforma
tributária, a modernização da legislação
trabalhista é outro fator apontado pela
indústria como vital para garantir a
competitividade. As empresas querem maior
liberdade de negociação e revisão de pontos
considerados ultrapassados da Consolidação das
Leis do Trabalho - CLT. Do outro lado, os
sindicatos defendem fervorosamente sua
manutenção, com medo de perder os direitos
assegurados na lei. A questão foi alvo de
debates no terceiro Encontro Nacional da
Indústria, realizado pela Confederação Nacional
da Indústria - CNI, na semana passada.
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Jefferson Dias/Valor
Prof. João Batista
Brandão, da FGV: faltam técnicos em TI e
açúcar e álcool
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Criada em 1943 pelo presidente
Getúlio Vargas, a CLT impõe, na visão da indúsria,
um engessamento nas relações trabalhistas, forte
impacto no orçamento da empresa por conta do custo
de contratação e tributos que embute, e traz
insegurança jurídica. Investimentos que visem
reforçar a competitividade, diz a CNI, poderiam ser
maiores se o peso da lei do trabalho fosse mais
leve.
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Neste momento em que o país exerce
papel de importante no cenário internacional em
diversos setores da economia e necessita manter o
fôlego para se mostrar competitivo frente a outros
mercados, a flexibilização ganha nova ênfase do lado
empresarial.
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Tal avaliação encontra eco entre
vários advogados especializados na área, acadêmicos
e consultores. Sócio e coordenador da divisão de
tributos da Terco Grant Thornton,
empresa de auditoria e consultoria, Wanderlei Costa
Ferreira define a não modernização como uma das
amarras do crescimento. "A legislação não acompanhou
as mudanças do mercado e ainda carrega aquele berço
de proteção paternalista ao empregado", diz,
amparado na pesquisa realizada pela Grant Thornton
International no final do ano passado para checar a
incompatibilidade entre o rápido crescimento da
economia global e a sustentabilidade.
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Foram ouvidas 7.200 empresas de 32
países, incluindo o Brasil. Enquanto 63% das
respostas gerais apontavam os custos com
matéria-prima como um dos vilões do preço final do
produto, o resultado no Brasil apontou que o peso
dos encargos com os salários (49% das respostas) era
o item que mais contribuía para o encarecimento do
produto.
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O professor José Pastore, da
Faculdade de Economia e Administração e da Fundação
Instituto de Administração, é taxativo em reconhecer
a importância de uma legislação que assegure
direitos fundamentais do trabalhador e que não podem
ser negociados, mas defende a negociação dos demais.
Estudioso das relações do trabalho e emprego, diz
desconhecer um país tão engessado como o nosso.
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Cálculos do professor indicam que as
despesas geradas pela tributação do trabalho exigida
pela Constituição Federal e CLT batem nos 102,43%.
"Essas despesas são altas, extremamente rígidas e
aplicadas a toda e qualquer empresa, sem distinção.
Algumas não devem ser negociadas porque garantem os
direitos sociais do trabalhador, mas há inúmeras que
poderiam ser", defende o acadêmico.
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O impacto da legislação pode resultar
em salários menores, mecanização precipitada para
desonerar a produção do peso exercido pelo contrato
de trabalho e na informalidade. "A lei acaba se
tornando um componente importante dentro do Custo
Brasil e isso acarreta prejuízos para a
competitividade", reforça o advogado Rui Meier,
sócio responsável pelo núcleo trabalhista da
Tostes e Associados Advogados.
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Com uma carteira de clientes composta
por empresas nacionais e multinacionais de setores
como financeiro, varejista, energia, Meier cita a
insegurança jurídica como outro entrave importante
que precisa ser solucionado.
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O advogado defende o estabelecimento
de regras claras, da contratação à demissão, sem a
possibilidade de interpretações diferentes para
atenuar o ônus que se cria também com os processos
judiciais. Segundo o professor Pastore, no Brasil as
ações trabalhistas totalizam cerca de 2,5 milhões de
processos. No Japão, compara, são 2.500. "A lei
incita ao dissenso."
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Para Emerson Casali, gerente
executivo de relações do trabalho e desenvolvimento
associativo da CNI, os sindicatos devem ter claro
que a competição não é mais com a empresa do lado. É
global. "Não se pretende eliminar direitos do
trabalhador, mas destravar o ambiente econômico com
vistas ao crescimento e a melhoria das relações
trabalhistas no Brasil. A expressão correta seria
simplificar a lei".
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A Central Única dos Trabalhadores
(CUT) é ainda mais enfática com relação às
diferenças de interesses sobre a revisão da CLT.
Para ela, a definição de modernização não é a mesma
dos empresários, reforça Quintino Severo, secretário
geral da CUT Nacional. "As empresas têm ganhado
fortunas com a produtividade dos trabalhadores. Para
baixar custos é necessário fazer a reforma
tributária e não tirar direitos do trabalhador".
Entre os pontos que devem ser alterados na visão da
CUT, Severo defende que a contribuição da
Previdência Social deveria incidir sobre o
faturamento das empresas e não mais sobre a folha de
pagamento.
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De qualquer forma, a discussão do
trabalho passa também pela qualificação da
mão-de-obra e o Brasil precisa investir urgentemente
no ensino médio para ter trabalhadores aptos a
captar inovações. Para o professor da Fundação
Getúlio Vargas - FGV/SP - João Batista Brandão,
existem muitas vagas e se o ensino médio fosse de
qualidade, o profissional encurtaria o tempo de
preparação para se tornar um técnico qualificado.
"Em seis meses isso seria possível e atenderia à
demanda, principalmente dos setores sucroalcooleiro
e de TI, onde a escassez é maior", diz. Para ele, o
Brasil precisa cuidar dessas questões para não "se
cristalizar como país de mão-de-obra barata e
ineficiente". (Colaborou Margareth Boarini)
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