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Sexta-feira, 8 de outubro de 2004
Governo dá sobrevida
de seis meses à Vasp
Concessão de vôos foi prorrogada, mas Infraero mantém data para
pagar dívida de R$ 11 milhões
TÂNIA MONTEIRO
BRASÍLIA - Diante da
possibilidade de decretação de falência da Vasp pela Justiça de São
Paulo, o governo atenuou o tom de cobrança feito anteontem à empresa
aérea e decidiu prorrogar, por seis meses, a concessão para que a
empresa continue voando. Por outro lado, a Infraero anunciou que
continua valendo o prazo de 13 de outubro para que a companhia negocie
o pagamento da dívida de R$ 11 milhões, contraída nos últimos três
meses. Só assim a Vasp continuará operando nos 66 aeroportos
federais. Depois terá de pagar antecipadamente as taxas aeroportuárias.
A mudança de posição
do Planalto tem uma razão: o governo não quer ser considerado o
algoz da empresa. A avaliação da crítica situação da Vasp foi
feita em diversas rodadas de reuniões na Casa Civil e no Ministério
da Defesa e teve o aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Como
o maior problema da Vasp, no momento, é com a Justiça e não com o
Departamento de Aviação Civil (DAC) ou com a Infraero, o governo
preferiu amenizar o ultimato dado anteontem pelo próprio ministro da
Defesa, José Viegas. Ele afirmou que a empresa só teria a prorrogação
da concessão com a apresentação de uma certidão negativa de débitos
junto a órgãos federais.
Para justificar a
prorrogação da concessão, o Ministério da Defesa informou, por
meio de nota, que a permissão para a Vasp voar foi baseada em
documentos apresentados pela empresa. Segundo a nota, a empresa
encaminhou "o Plano Estratégico de Gestão apresentado pela
empresa ao DAC, no qual estão definidos objetivos e estratégias a
serem cumpridos para regularizar a situação que ora se
apresenta"; fez um ajuste de novos horários de vôo,
"decorrentes da parada definitiva de seis aviões da
companhia"; e propôs a "renovação da frota da empresa, a
começar pela importação de seis novas aeronaves Boeing
737-300".
Para que a renovação
seja feita daqui a seis meses (mesmo prazo concedido à Varig), o
Ministério afirma que a Vasp terá de apresentar a certidão negativa
de débito com comprovação de que está fazendo os pagamentos à União
referentes ao INSS e à Receita Federal, conforme determina a lei. Se
apresentar isso antes, a renovação poderá até ser antecipada. O
decreto de prorrogação de concessão da Vasp, cujo prazo vencerá em
10 de abril de 2005, deverá ser publicado hoje. O Ministério da
Defesa ressaltou ainda que a Vasp já formalizou, junto ao DAC,
solicitação para importar os equipamentos 737-300 para serem usados
nas rotas da empresa.
Em relação à situação
dos passageiros, que não estão conseguindo embarcar nas companhias
que não aceitam os bilhetes endossados da Vasp, o ministro disse que
o DAC está em contato permanente com as outras empresas para tentar
equacionar a questão. Ressalvou, no entanto, que é preciso levar em
conta também os interesses das demais empresas aéreas. "Vamos
procurar equacionar isso da melhor maneira possível para causar o
menor transtorno possível aos usuários."
Viegas ressaltou que a
Vasp é uma empresa privada e que, por isso, tem de administrar os
seus próprios problemas. "Quem tem de substituir os aviões é a
própria empresa. Nós, evidentemente, acompanhamos com muita atenção
a evolução dessa situação com objetivo de que não haja danos para
os usuários", prosseguiu.
O presidente da Vasp,
Wagner Canhedo, encontrou-se com Viegas no final da tarde de ontem
para, segundo ele, agradecer a prorrogação da concessão.
Antes de entrar para a
audiência anunciou que iria entregar ao ministro "um plano de
reestruturação, desenvolvimento e crescimento da empresa". Ele
não quis mencionar detalhes do plano, mas garantiu: "A Vasp não
pára de voar na segunda-feira. Essa possibilidade é zero". De
acordo com Canhedo, se a Infraero exigir o pagamento dos débitos, a
Vasp pagará. Ele alegou que a Vasp "tem milhões a receber do
governo federal referentes à erosão tarifária" e que o
processo já está no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
"Se nós temos débito,
temos também crédito. A empresa está em dificuldade, mas é viável",
afirmou Canhedo.
Além dos débitos com o
governo, a Vasp precisa saldar uma dívida de R$ 9 milhões com a
empresa americana GE sob pena de ter a falência decretada
judicialmente. A Justiça paulista deu 24 horas a partir do momento da
intimação para que a empresa salde o débito. A Assessoria de
Imprensa da Vasp não soube informar ontem se a empresa já havia sido
intimada ou não.
A procuradora-geral do
Trabalho, Sandra Lia Simon, protocolou ontem ação no Tribunal
Superior do Trabalho (TST) pedindo o arresto dos bens da Vasp e de
Canhedo. O objetivo da ação é garantir resultados práticos em uma
eventual execução de uma ação civil pública que tramita no TST
contra a companhia aérea, cobrando o pagamento de direitos
trabalhistas. A procuradora entregou o pedido após audiência com o
presidente do TST, ministro Vantuil Abdala.
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