Sexta-feira, 8 de outubro de 2004
Empresas abrem código para o setor
público
Altitude Software, Cobra, Plusoft e Procwork lançam CRM Livre
RENATO CRUZ
As empresas movimentam-se para atender
à preferência dada pelo governo federal ao software livre. A
Altitude Software, Plusoft e Procwork uniram-se à Cobra Tecnologia,
que pertence ao Banco do Brasil, para criar uma solução de central
de atendimento com o código aberto, chamada CRM Livre. Ou seja, o
governo poderá ter acesso às linhas de programação que formam o
software e, se necessário, modificá-las.
"Software livre não significa,
necessariamente, gratuidade", explicou a diretora-geral para a América
Latina da Altitude Software, Elaine Ferreira, que participou do
Congresso Nacional das Relações Empresa-Cliente 2004 (Conarec). A idéia
é entregar o código e cobrar por ele na forma de serviço, com uma
mensalidade, no lugar de cobrar licença. A Altitude é uma empresa
portuguesa, que abriu o código de seus produtos somente para o
mercado brasileiro, de olho nas oportunidades governamentais.
"Foi um pouco difícil de convencer
a matriz", contou Elaine. Não se trata, porém, de uma adesão
à General Public License (GPL), licença pública geral, criada pelo
americano Richard Stallman, pai do movimento de software livre.
O que as empresas do consórcio CRM
Livre assinará com os clientes são um contrato de transferência de
conhecimento e outro de prestação de serviços.
Na versão de Stallman, uma vez
desenvolvido, o software pode ser modificado e copiado livre e
gratuitamente.
As centrais de atendimento movimentaram
R$ 2,7 bilhões no País durante o ano passado, de acordo com estudo
da E-Consulting. O maior cliente é o setor financeiro. "Até
2008, o faturamento das empresas de contact center vai dobrar, e o
principal cliente será o governo", disse o presidente da Associação
Brasileira das Relações Empresa-Cliente (Abrarec), Roberto Meir, que
prevê uma forte expansão do atendimento remoto ao cidadão.
Para o projeto CRM Livre, a Altitude
Software forneceu sistemas de integração entre computador e
telefonia, como discagem automática e Unidade de Resposta Audível (URA),
que permite à máquina falar. A Plusoft foi responsável pela solução
de relacionamento com o cliente, com a linguagem Java de programação.
A Cobra entrou no grupo com o pacote de aplicativos Freedows e com os
providenciais contatos com o governo. A Procwork integrou os sistemas.
O consórcio usou o evento Conarec, que
terminou ontem em São Paulo, como vitrine para o CRM Livre. As
empresas montaram uma central com quatro posições de atendimento, em
84 metros quadrados, para que as pessoas pudessem ver a tecnologia em
operação.
"O resultado foi muito além do
esperado", afirmou Elaine, da Altitude.
"Surgiram vários interessados, até
da iniciativa privada." De acordo com a executiva, a solução
reduz os gastos de 27% a 30%, e interessou empresas que operam suas próprias
centrais de atendimento, como uma alternativa de redução de custos
sem terceirização. A idéia para o CRM Livre surgiu na edição do
ano passado do Conarec. A integração da tecnologia levou dois meses.
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